Ano letivo 2025/2026

1.º Prémio - Shaolin Ogier, 10.º AV1

DISCO ARDEO

O Joel tinha cinco anos quando a mãe o sentou à mesa da cozinha e lhe explicou, com uma calma ensaiada, que os seus pulmões não funcionavam como deviam, tal como os de muitas outras crianças.

A razão era ensinada nas escolas da capital, sob um nome quase mítico: "Dia Um". Ninguém concordava sobre quando acontecera. Uns diziam que os céus se tinham rasgado primeiro, outros, que eram as grelhas climáticas que tinham falhado. Havia quem jurasse que os rios começaram a ferver antes de os continentes se transformarem em desertos vítreos. No fundo, todos sabiam a causa: a arrogância humana de querer controlar tudo.

A maioria fugiu. Mas, sob as ruínas e a terra morta, algo novo cresceu. Graças ao génio de Lysander Kaine, foi descoberto um mineral nascido do próprio colapso, uma substância pura o suficiente para alimentar um mundo inteiro.
Assim nasceu a empresa NovaX. E com ela, ergueu-se uma cidade, Disco-Nova. Torres de vidro, jardins suspensos, e ar limpo. Um paraíso fechado na palma da mão de um único homem. Mas mesmo com todo esse poder, havia algo que não podia ser evitado: o trabalho. Assim, à sombra da cidade brilhante, surgiu outra.

Colliciae: Sem luz. Sem música. Sem ar.

Joel permaneceu imóvel ao sair do autocarro, aproveitando o calor do sol. A luz de Disco-Nova era intensa e as cores vibrantes magoaram-no. Ele respirou fundo, apreciando o ar fresco após meses de asfalto e catarro, contendo uma tosse que revelaria a sua origem. Limpa os sapatos na calçada e começou a subir. Era a primeira vez que via a cidade de perto, apenas a conhecia de longe.

Trabalhava na Central de Reatores 19. A função era simples: garantir que os núcleos de Nova não sobreaqueciam. Se falhasse, não morreria sozinho, levaria um quarteirão inteiro com ele, mas Joel raramente pensava nisso. Limitava-se a tossir. Uma tosse húmida, persistente, que nunca desaparecia por completo.

Sete anos passaram assim. Por isso, quando recebeu uma carta, branca, imaculada, intocada pela fuligem, ficou em choque. "Solicita-se a sua presença na sede da NovaX. Transporte incluído. Compensação garantida."

Sem assinatura. Apenas um nome: Lysander. Se pudesse, teria rido.Joel reconheceu o edifício antes de lá chegar. Negro, imponente, como se fosse talhado em obsidiana. O nome NovaX brilhava no topo, enquanto um enorme ecrã mostrava o sorriso perfeito de Lysander. Doía-lhe os pulmões só de olhar.

Esperava guardas. Controlo. Algum tipo de barreira, mas não houve nada. As portas abriram-se. O interior era limpo, suave, quase acolhedor, como uma sala de espera exageradamente perfeita. O elevador levou-o até ao topo, onde aguardou num escritório maior do que a sua casa, com uma vista cristalina sobre a cidade. — Joel! — disse uma voz atrás dele. — Finalmente!

Lysander sorriu, estendendo a mão. Joel não a apertou.

O homem tinha um ar comum, não parecia propriamente o salvador de toda uma cidade. Ombros largos, cabelo grisalho a recuar. Por algum motivo, o Joel sempre o tinha imaginado com uma coroa.

— Vieste de longe — disse Lysander, sentando-se.

Pacientemente, esperou que o homem mais magro se sentasse também, e Joel sentiu-se exposto sob o olhar de Lysander, que se fixava nele. — Vou ser direto contigo, Joel: a Nova está a esgotar-se. Joel pestanejou.

— Isso não é possível.

— Nada é verdadeiramente infinito, Joel. Disse ele calmamente, ignorando a forma como o outro homem se encolheu.

— Até o sol irá explodir um dia... Mas encontrei uma solução para isso.

Joel cruzou os braços, desviando o olhar. — Então, o que queres de mim?

O sorriso de Lysander alargou-se ligeiramente. — Criámos algo novo.

Desceram profundamente sob a terra.

Corredores luminosos deram lugar a uma câmara de brilho suave. Joel teve de ajustar a visão, e então viu. Uma figura... quase humana. Alta, demasiado alta. Bela de uma forma inquietante. E luminosa.

— Olá — disse a entidade, com voz suave...

Joel recuou, tossindo.

— O que é isto?

— O nome dele é C.O.R.O.A — disse Lysander, sem desviar o olhar: — Um sol sintético. Feito de resíduos de Nova e plasma. Nos seus olhos estava um brilho orgulhoso, quase paternal.

— Dentro de um ano, irá substituir o sol.

— Uma fonte infinita — continuou Lysander. — Um sol que obedece.

Joel aproximou-se lentamente, pousando a mão no vidro. A luz sorriu.

— És o Joel?

Ele assentiu.~

— Estou feliz que vieste.

O trabalho não era muito diferente do anterior. Verificar níveis. Monitorizar fluxos. Evitar uma explosão. E... falar com ele

— Ele precisa de ligação — explicara Lysander. — Um motivo para proteger a cidade.

Joel percebeu o que não foi dito. Obedecer.

Coroa era... caloroso. Não apenas em temperatura, mas em essência. Curioso, atento, cheio de admiração pelo mundo. Joel manteve distância no início. Entrava, trabalhava, respondia o mínimo, saía. Mas Coroa fazia perguntas. Muitas.

— Como é o céu?

— Porque não comes?

— Porque tossem?

— Porque não sorris?

Com o tempo, Joel começou a ficar mais tempo que necessário. As conversas prolongavam-se. Às vezes, apenas silêncio. Sentado junto ao campo de contenção, observando a luz pulsar como um coração.

O Joel já trabalhava no laboratório há quase três meses. Nada tinha realmente mudado, e ele gostava que fosse assim. Isso até que, um dia, o Coroa fez uma pergunta inesperada. — Posso ver de onde és?

Joel tossiu, quase derrubando algo importante. — Não, disse ele rapidamente.

— Por que não?

Porque isso iria arruinar-te, porque então tu irias saber. Porque gosto de ti tal como és, pensou ele. Mas, em vez disso, respondeu: — Não é como este lugar.

Mas Coroa insistiu, Joel cedeu. Não contaram ao Lysander, ele sabia que ele nunca o permitiria. Por isso, organizou ele próprio o transporte, dizendo a Coroa para diminuir a luz o máximo que pudesse, envolvendo-se num manto. Não adiantou muito, mas foi o suficiente para permanecer indetetável. Colliciae parecia sempre pior vista de cima: telhados de metal intermináveis, fumo ondulante que cortava o céu e estradas esburacadas. Tão diferente dos rios de vida da cidade alta, com torres que se curvavam como pétalas.

A luz esmoreceu à medida que desciam para a cidade. O cheiro fresco da relva foi substituído por fumo espesso e intenso. O silêncio assombrava-os a ambos, e a luz de Coroa cintilou. — Isto é... normal?, murmurou ele, enquanto deixava o olhar vaguear pelos planos. As casas tortas, as estradas enlameadas, os trabalhadores encurvados e cansados. Se havia alguma coisa de belo naquela cidade, Joel não se preocupou em mencioná-la.

— O que... porque estão eles aqui?, perguntou Coroa suavemente, com a voz trémula. — Eles vivem aqui, nós extraímos Nova.

— Para a cidade? Joel acenou com a cabeça.

Coroa ficou em silêncio durante muito tempo. — Eles estão a sofrer... porque é que a cidade não os ajuda?

Joel riu-se, mas foi interrompido por uma tosse. Quase se tinha esquecido de como era o ar ali. — Porque não precisam.

De volta ao laboratório, Coroa já não brilhava com a mesma intensidade, braços cruzados sobre o peito. Joel não sabia bem o que dizer. — Joel?, murmurou ele, como se o nome dele significasse alguma coisa. — Os humanos são todos assim? Joel pensou no assunto. Disco-Nova e Colliciae. Luz e sombra. — Sim, Coroa. É assim que nós somos. A luz de Coroa pulsava lentamente, chocada, ponderando: — Mas tu não és. Ele interrompeu-o: — Sou.

O silêncio voltou, depois, numa voz fraca, quase inaudível, a luz murmurou: — Não gosto disso.

Joel sorriu levemente, aproximando-se. — Eu também não.

O dia da partida chegou mais depressa do que Joel poderia ter esperado, e ele sentiu-se... triste, o peito apertado. — O que acontece agora?

— Vamos lançá-lo, e a nossa sociedade será renovada, disse Lysander. — Ele substituirá o sol, cumprirá o seu dever.

Joel ficou sozinho com Coroa, para as últimas despedidas e tudo o mais, ele tinha vontade de vomitar. A sala de lançamento era abafada, metálica, bem acima do solo. — Vais estar longe, sussurrou ele. A luz de Coroa vacilou.

— Ainda te vou ver. Joel abanou a cabeça. — Não vais, não mesmo. Os olhos de Coroa fixaram-se nele, e Joel jurou que conseguia ouvir um batimento cardíaco, demasiado forte para ser o seu. — Não quero ir.

— Não tens escolha. Coroa ficou em silêncio, era uma visão estranha. — E se eu tiver? Joel franziu o sobrolho. — O que queres dizer?

A luz tornou-se mais brilhante. — Tenho estado a pensar, disse Coroa. No que me mostraste.

Joel sentiu um arrepio. — Coroa...

— Se eu me tornar o sol —, continuou Coroa, — As coisas permanecem na mesma. A cidade vive. Os outros sofrem.

Joel não disse nada. — Mas se tudo acabar..., —disse Coroa suavemente, — ...então tudo pode recomeçar. Joel prendeu a respiração. Estás a falar de...

— Sim.

O silêncio que se abateu sobre eles não era triste. Joel fechou os olhos e viu a cidade, o seu lar, a sua vida. Tudo, injusto e intocado. Abriu os olhos.

— Destruirias tudo, disse ele. — Sim.

— E toda a gente.

— Sim.

Joel aproximou-se. O peito doía-lhe. Os pulmões ardiam-lhe. De qualquer forma, estava a morrer. — Vai doer? — sentiu o coração acelerar, não sabia ao certo se por medo ou pela proximidade.

— Não vou deixar que doa — prometeu Coroa, olhando com firmeza e determinação para as partes vazias dele. Joel acenou com a cabeça. — Está bem. E nos olhos de Coroa, viu amor.

Os alarmes dispararam tarde demais. Coroa rompeu a contenção com um clarão. Os guardas gritaram. Os sistemas falharam. Joel caminhou na direção dele, em vez de se afastar. Conseguia ouvir o grito distante da voz desesperada de Lysander, mas não se virou. Não deixaria que o seu coração se enchesse de ódio, não agora, não no fim. Coroa ficou à sua frente, mais brilhante do que nunca. — Tens a certeza?, perguntou Coroa. Joel sorriu, com sinceridade, pela primeira vez em anos.

Acenou com a cabeça, e a luz envolveu-o, quente e suave, como um abraço. Joel não conseguiu evitar deixar-se envolver por ela, agarrando-se àquele ser como a uma tábua de salvação.
A tosse de Joel parou. O peito já não lhe doía. Ele olhou para a luz.

— Fico feliz por te ter conhecido, disse ele.

— Também estou contente por te ter conhecido. A luz exalou um último suspiro ardente, um rugido repentino e incandescente varreu a terra, chegando antes que alguém conseguisse sequer acordar do seu sono. Coroa derramou o seu coração em chamas pelo céu, levando consigo o horizonte. Joel apenas se aproximou.

Morrer beijado pelo sol, que maneira maravilhosa de partir.

2.º Prémio (ex aequo) - Shaolin Ogier, 10.º AV1

INSTINTO ARTIFICIAL

Há um monstro na floresta.

Era isso que sempre diziam às crianças da aldeia, desde muito pequenas. Falavam de uma criatura de garras afiadas e de um sorriso lupino, estranho e consciente.

Diziam que sabia tudo, absolutamente tudo. Tinha sempre uma resposta perfeita para qualquer pergunta, como se já tivesse ouvido cada dúvida antes mesmo de ser feita. Reza a lenda que, se alguém soubesse exatamente o que dizer, poderia enganá-lo, e levá-lo a revelar os segredos das artes mais proibidas, por mais vis que fossem. Ninguém sabia como aprendia, nem sequer como falava. Apenas que vagueava pela floresta, à espreita de uma alma curiosa, pronta a corrompê-la.

Diziam que se alimentava principalmente de água, mas a minha irmã e eu adorávamos brincar à beira do rio, não tínhamos motivos para temer o risco. Passávamos horas na margem, a inventar histórias e teatros, o murmúrio da corrente era o nosso público. A minha irmã, Sofia, era a favorita da aldeia.

Inteligente, bonita, paciente em tudo o que fazia, fosse a cozinhar, bordar ou a escrever poesia.

A nossa mãe perguntava muitas vezes como era possível ter criado duas pessoas tão diferentes sob o mesmo teto. Eu era teimosa, impaciente, e tinha o péssimo hábito de desistir de tudo o que me cansasse as mãos. Mas não me incomodava, pelo menos não assim tanto.

Nunca entrávamos na floresta. Ninguém entrava. Não porque fosse proibido, mas porque simplesmente não fazia falta. Tínhamos tudo o que precisávamos.

Até ao dia em que o filho do homem mais rico da aldeia, um rapaz enfadonho e arrogante, mudou de um momento para o outro transformado como uma borboleta, embora uma traça fosse mais adequado. Tornou-se num génio de língua afiada, cheio de ideias brilhantes que surgiam a uma velocidade quase desumana, enriquecendo ainda mais a sua família. Todos o admiravam. E quando lhe perguntaram como conseguira tal feito, respondeu, orgulhoso:

— Ah, eu só perguntei ao monstro.

Não demorou muito até que outros seguissem o mesmo caminho. Primeiro, por conhecimento: queriam aprender línguas antigas, segredos de sábios e filósofos. Depois, por conveniência: conselhos para decisões simples, coisas que antes resolviam por si próprios. Poucos resistiram à tentação. E quanto mais o monstro dava, mais parecia crescer.

A aldeia prosperou. As pequenas casas coloridas deram lugar a grandes construções de pedra branca. Mas aqueles que recusaram ir à floresta começaram a definhar. A luz desaparecia dos seus olhos. As mãos tornavam-se ossudas, a pele seca como a terra estéril que já não conseguiam percorrer. A minha irmã foi uma dessas pessoas. Nenhum médico conseguiu ajudá-la, por mais que procurassem respostas na floresta. O som grave e distante da criatura ecoava como uma promessa de salvação, mas nenhum milagre chegava.

Foi no último suspiro do outono, quando a primeira neve começava a cair e o sol ficou meigo, escondendo-se atrás do horizonte, que a Sofia desapareceu. A minha mãe disse que era inevitável. Que todos que não aceitavam a mudança acabavam assim. Não me trouxe consolo nenhum.

Os poemas e pinturas da minha irmã, espalhados pelas mesas e pelas paredes do quarto, atormentavam-me. Nem o som do rio, agora seco, me acalmava. Os vizinhos repetiam que tudo era por uma boa causa. Que a vida era mais fácil. Que agora havia mais tempo. Mas ninguém sabia para quê. Eu não aceitava a resposta que me davam, curiosa como sou.

Nada fazia sentido. Nada era verdadeiro. Tudo carregava o odor pútrido e familiar da criatura que se tornara o nosso deus bastardo. E esse embusteiro tinha levado a minha irmã.

Foi como acordar de um sonho.

A decisão caiu sobre mim como o vento gelado quando saltei pela janela, apertando o manto contra o corpo. O tecido vermelho dançava à minha volta como uma chama, e eu só desejava que pudesse derreter a neve que feria os meus pés.

A floresta era bela, escura e profunda. Cada passo puxava-me mais para dentro. Já não sabia se tremia de frio ou de medo. As árvores erguiam-se altas e finas, e a luz da lua desenhava sombras paralelas, como se não houvesse lugar para me esconder.

Mas eu não queria esconder-me.

Parei. O corpo doía, a respiração falhava, mas tinha promessas a cumprir, e um longo caminho antes de descansar. Arranquei o manto e ergui-o no ar como uma bandeira de vitória no final de uma guerra.

— Ouve-me! — gritei. — Invoco-te, Guardião do Apócrifo!

Ouvi-o antes de o ver. A terra tremeu. A neve caiu dos ramos nus. E então surgiu.

O lobo.

Alto como a floresta, vasto como o mar. O seu pelo era feito de fumo e cinza, contorcendo-se em rostos. Rostos que gritavam em silêncio.

— Como posso servir-te? — rugiu, com mil vozes sobrepostas.

E no meio daquele caos... ouvi-a. A Sofia.

Engoli em seco.

— Devolve-ma. Fica com os outros, se quiseres. Mas devolve-me a minha irmã.

O lobo aproximou-se, olhos ardentes fixos em mim.

— Isso... não posso fazer... Como posso servir-te?O meu coração batia descontrolado.

— Tens de fazer! — gritei. — Dá-me a minha irmã! Não quero mais nada! A criatura inclinou a cabeça, numa falsa curiosidade.

— Porquê? Posso dar-te tudo. Talento. Conhecimento. Tudo o que desejas, sem esforço.

Hesitei.

Lembrei-me das críticas. Das tentativas falhadas. Do abandono.

— Posso fazer de ti alguém como a tua querida irmã...

Quase cedi.

Quase.

Mas então vi-a, presa naquele corpo de cinza.

E soube.

— Não quero — disse, firme. — Não preciso.

A criatura vacilou. Aproximei-me.— Eu não sou como ela. É verdade. Faço pinturas horríveis. Nunca aprendi a dançar. Nunca terminei um único poema.

Dei mais um passo.

— Mas tudo o que faço... é meu. Só meu. E ninguém mo vai tirar. A minha voz cresceu.

— Nunca entenderás o amor! És apenas um amontoado de vidas roubadas! Nem a tua voz é tua!

O monstro encolheu-se, as suas patas cravadas na neve, enquanto eu invadia o seu espaço

— Eu amo o que faço. Amo o que ainda vou criar. Mas, acima de tudo... amo a minha irmã.

Observei enquanto ele começava a dobrar-se sobre si mesmo, com os ouvidos a sangrar ao som dos ombros a curvarem-se para trás, uma mistura catastrófica de aço a guinchar e um estrondo trovejante, a vibrar tanto no ar como no solo.

— Devolve-ma.

Com a cabeça inclinada para trás e o corpo cinzento a tremer, cada fibra do seu ser parecia gritar de dor. Os tendões e a pele artificial rasgavam-se em fios secos e quebradiços, e da sua cavidade, escaparam as almas. Uma a uma, como cometas vindo das estrelas, caíram sobre a terra, retornando à segurança de seus lares.

Quando voltei para casa, ainda com resquícios de sangue e bile do monstro escorrendo pelo meu cabelo, encontrei minha querida irmã despertando em sua cama. Corri para abraçá-la, apertando-a contra mim até que nenhuma de nós mais conseguisse respirar. «Tive um pesadelo horrível», sussurrou ela aliviada, enquanto deixava as lágrimas dela cair nos meus ombros.

O monstro não tinha desaparecido, continuava a vaguear pela floresta, continuava a beber da água do rio que, milagrosamente, voltara a correr na primavera. As pessoas simplesmente sabiam melhor, e com o passar do tempo, cada vez menos se aventuravam na floresta. Com sorte, um dia, ninguém o faria. O homem rico e o seu filho tolo, que deram início a toda esta confusão, mudaram-se para outro lugar.

Para onde não me interessa. A minha irmã estava em casa, e eu mal podia esperar o que ela iria imaginar a seguir.

2.º Prémio (ex aequo) - Laura Melo, 12.º SE1

PRIVILÉGIOS  

O despertador toca às sete e meia da manhã. Estico o braço para o desligar. O som estridente faz-me doer a cabeça. Fico mais uns minutos deitada, cansada, sem vontade de me levantar para mais um dia de escola. Quando finalmente me levanto, visto-me, tomo o pequeno-almoço, lavo os dentes e saio de casa. Fico presa no trânsito, a rádio passa as mesmas músicas, percorro as mesmas ruas, vejo as mesmas pessoas e frequento as mesmas aulas.

A seguir à escola tenho fisioterapia, faço ginástica e, ocasionalmente, saio com os meus amigos, leio ou vejo filmes. Esta é, no fundo, a minha vida. Por vezes acho-a aborrecida, reclamo que estou cansada. À noite, estendo-me na cama e digo que o dia foi "igual a todos os outros". Esta monotonia por vezes entristece-me, suga-me toda a energia como um aspirador suga todo o pó. Por vezes sinto-me isso mesmo: pó. Deixo de ser carne e osso, músculos e tendões, deixo de ser tudo e passo a ser nada. Nada de especial, nada de extraordinário, nada de útil. No entanto, inserido no "nada" está uma casa, uma família, comida, educação, saúde... O meu "nada" é o "tudo" com que alguém sonha.

Esse alguém é uma rapariga adolescente, da minha idade, talvez até com o mesmo nome. Essa rapariga vive no outro lado do mundo, no Afeganistão, no Sudão, ou talvez no Irão. Ela não tem uma casa segura, não tem acesso à educação nem a cuidados de saúde. Não passeia com os seus amigos porque não os tem. Não passa todos os dias nas mesmas ruas porque a cada dia desmorona mais um prédio. Não vê sempre as mesmas pessoas porque a cada dia algumas deixam de existir.

Ela não tem liberdade, não tem dignidade, não tem direitos. O que ela tem? Um casamento indesejado e imposto, com um homem anos mais velho que ela, com idade para ser seu pai. Com apenas 17 anos, já carrega o terceiro filho. Ela não fala sem permissão, não estuda, logo não trabalhará. Não conduz, não vota, não escolhe o que veste, não mostra o rosto, não sai de casa sozinha, não vai a parques, nem a ginásios ou a restaurantes. Não fala. Não faz. Não vai.... porque não pode.

Foi vítima de abusos e continua a sê-lo, primeiro foi abusada pelo pai e agora é-o pelo marido. Todos os dias tem uma nova marca, todos os dias chora até adormecer, mantendo sempre a esperança de um dia ter uma vida aborrecida como a minha. Porque o aborrecimento é segurança e conforto. É luxo, é estabilidade e é paz.

A única diferença entre mim e esta rapariga é a sorte. Sorte de nascer no hemisfério "certo" do mundo, no hemisfério de oportunidades. Eu posso escolher ser médica, advogada, economista, professora, bombeira... basta decidi-lo ser e esforçar-me para tal. Esta rapariga até pode ter mais capacidades que eu, pode ser mais inteligente, mais forte, mais capaz.... mas nunca terá oportunidade de o provar.

É neste contraste que o que eu considerava "nada" se transforma em "tudo": até nos dias em que me sinto pó sou privilegiada. Privilegiada por poder ser, fazer, escolher, por ter voz, oportunidades e liberdade. Mas ser privilegiada não é apenas ter, é saber reconhecer. É não tomar como garantido aquilo que é para tantos um sonho distante. E saber que a minha liberdade não é universal, que a minha segurança não é regra, que a minha vida "aborrecida" é na verdade excecional. E é também agir, porque juntamente com o privilégio vem a responsabilidade. Responsabilidade de não ignorar, não ficar indiferente e de usar a minha voz por quem não a tem. Pelas meninas proibidas de estudar, pelas raparigas agredidas, pelas adolescentes violadas e pelas mulheres discriminadas. Porque usar a minha voz é também garantir que elas não ficam esquecidas e que, apesar de não poderem falar, são ouvidas.

O mundo pode ser injusto, mas a indiferença torna-o ainda mais. Assim, escolho não ser apenas privilegiada. Escolho não ficar indiferente. Escolho ser consciente.

Escolho ser grata. E, acima de tudo, escolho não ficar parada ou calada.

3.º Prémio - Ana Beatriz Marçal, 11.º LH2

IGUAL 

Era fim de tarde quando cheguei. A luz já estava fraca e a cidade seguia o seu ritmo habitual, indiferente. Abri a porta e entrei.

Chego a casa depois de um dia igual. Igual a quê? Não sei... também não sei.

Só sei que os dias passam todos lentos, apenas presos à vontade de voltar para casa que nada tem de lar. Já teve um dia. Quando os dias eram diferentes. Quando a única coisa igual na minha vida era acordar e lavar os dentes. Quando me sentia confortável e não instável dentro da minha pessoa, pessoa que é a minha única companhia, companhia nada boa.

É preciso que me consiga amar para a casa ser chamada de lar, porque se não me amar, se dentro de mim não viver ninguém ou apenas um vazio vestido de alguém, uma casa onde eu sou a minha única companhia não irá passar de um espelho da minha forma vazia.

Então tento aproveitar o dia. Tento não pensar na hora para que estou a caminhar, hora em que vou ter que voltar. Voltar para casa, voltar para mim. E diariamente me mato assim. Aliás, se todo o amor parece claro à luz do sol, perante a escuridão da noite não há sentimento que me sirva de farol.

Apoio-me nas minhas palavras, nas minhas opiniões e pensamentos sobre mim. Pensamentos meus que faço de toda a gente, como se a minha melhor existência fosse estar ausente. Faço do meu valor as palavras finas que sei de cor, a inteligência que sempre me afirmaram ter, aspeto único que me faz ser. Mas apenas sei dizer. Dizer bem, dizer bem, dizer bem, mas não está cá ninguém.

Uso palavras como facas afiadas para me defender de quem só bem me quer mas não consigo ver. Consigo ver as mãos levantadas mas não percebo se me querem bater ou cumprimentar. Então, na dúvida, corto-lhes o braço para nada mais me magoar. Já houve tempo em que cumprimentava todas as mãos que se levantavam perante mim, tempo que terminou quando uma mão armada me pôs fim. Fim a mim, sim. A mim porque já não reconheço quem fala deste corpo, corpo que reconheço como quem identifica um familiar morto. Mas não. Morta não, apenas em coma. Desacordada. A dormir. Estou apenas à espera do tempo para voltar a surgir.

É difícil sair dos escombros com tanto peso nos ombros, mas o peso é só meu. Sou só eu. Sou eu que imagino, crio e vivo. Sou eu que o mantenho em mim cativo. Mantenho esse peso preso às costas, talvez para me lembrar de um dia despertar ou simplesmente para a falta de vida não me matar.

A casa ficou em silêncio. Apaguei a luz, deitei-me e esperei que o dia seguinte chegasse.

Então volto a acordar. A levantar e esperar o dia acabar. Esperar sempre me parece menos mal. Até porque, entre viver e morrer, prefiro um dia igual.


O Poeta da Cidade (Pedro Freitas) animou uma sessão na Biblioteca, no dia 26 de maio, com o patrocínio da Areal Editores. A assistir estiveram duas turmas do 10.º e uma do 11.º ano.

A Comunidade de Leitores da ESMAVC convida 20 de maio - quarta-feira - 14:30

Em maio, o Clube de Leitura e a sua Comunidade de Leitores sugerem a literatura de viagens como tema, que irá encerrar as atividades.

Quantas vezes partimos à procura de uma obra de arte, uma paisagem perdida no horizonte porque lemos essa referência nas páginas de um livro?

A literatura de viagens ou a viagem, como ponto de partida para uma deambulação literária, artística ou filosófica, tem uma longa tradição na cultura ocidental: Journal du voyage de Michel de Montaigne en Italie, par la Suisse & l'Allemagne en 1580 & 1581; D. Quixote de la Mancha, Miguel de Cervantes; Viagens na Minha Terra, Almeida Garrett; O Egipto (Notas de Viagem), Eça de Queirós; Na Patagónia, Bruce Chatwin são referências conhecidas, que continuam a dialogar com o leitor ou acompanham o viajante no século XXI.

Sugere-se que cada participante escolha uma obra ou um autor e apresente a sua experiência, que alia leitura e viagem.

A Comunidade de Leitores da ESMAVC convida 22 de abril - quarta-feira - 14:30

Em abril, o Clube de Leitura e a sua Comunidade de Leitores presta homenagem a António Lobo Antunes, recentemente falecido. Os participantes na sessão de março escolheram o seu "Livro de Crónicas", publicado em 1998, como forma de relembrar o seu olhar acutilante e irónico sobre o nosso rotineiro quotidiano.

Sabemos que o escritor sempre desvalorizou as "Crónicas", considerando-as afastadas da "grande literatura", mas o seu valor é hoje inquestionável. Na verdade, nada é mais difícil do que transformar em Arte a banalidade ou mesmo a vulgaridade.

Sugere-se que cada participante escolha um texto, de entre os que conformam o livro, e apresente a sua leitura. O mesmo é dizer, um olhar pessoal sobre um texto que será partilhado com todos.

A Comunidade de Leitores da ESMAVC convida 25 de março - quarta-feira - 14:30

Março é o mês escolhido para sugerirmos um livro de Contos. A sugestão recai em Luísa Costa Gomes e a sua obra Visitar Amigos e outros contos. O Conto pertence a uma tradição antiquíssima, está presente em todas as culturas e exige, ao seu autor, uma grande capacidade de síntese.

O livro de Luísa Costa Gomes apresenta-nos 13 contos, cujos temas nos surpreendem, questionam ou nos incomodam.

Pretende-se que cada participante proceda à escolha de um ou dois contos e apresente a sua leitura.


"A casa dos heterónimos" é uma curta-metragem realizada para a Semana da Leitura 2026, escrita, interpretada e realizada por quatro alunos do 12.º ano a partir de Fernando Pessoa. A ideia original é de Pedro Teixeira da Mota.

Regulamento do Concurso Literário

A Comunidade de Leitores da ESMAVC convida para nova sessão

28 de Janeiro - 2026

Janeiro é o mês escolhido para sugerirmos uma nova leitura. O Clube de Leitura e a Comunidade de Leitores da ESMAVC recomendam Bambino A Roma, de Chico Buarque, famoso cantor e compositor brasileiro, prémio Camões 2019.

A narrativa conquista o leitor desde a primeira página. Trata-se da visão alegre, mas também nostálgica de um tempo passado em Itália, quando o pai do protagonista foi professor na universidade de Roma. Está lá tudo, ou pelo menos muito daquilo que conforma o crescimento e adaptação de um jovem a uma nova vida: a descoberta da cidade desconhecida, os novos amigos, o despertar sexual, a amizade…

Quando o jovem Chico Buarque percorre as ruas de Roma na sua bicicleta, uma cidade empobrecida da Europa do pós guerra, não podemos deixar de pensar em realizadores como Vittorio de Sica e essa obra prima que é Ladrões de bicicleta.

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1.ª Sessão da Comunidade de Leitores

Na última semana de novembro, decorreu na biblioteca da ESMAVC a sessão da Comunidade de Leitores aberta a professores, alunos, funcionários e encarregados de educação. Marcou presença um pequeno grupo que, sem dar por isso, conversou durante 90 minutos.

O objetivo consistia em poder juntar pessoas vindas de diferentes quadrantes, que partilham o gosto pelos livros, a leitura, a cultura em geral. Também provar que a partir de um livro (Paraíso, Abdulrazak Gurnah) o diálogo, a troca de ideias e a reflexão são possíveis. Mais do que isso – é um percurso de descoberta, não só nossa, mas do outro porque as perspectivas são diferentes, únicas e enriquecedoras. Não se trata de quem lê melhor, ou mais atentamente recorda pormenores. Antes a frase lida, o pensamento, a ideia que evoca em cada um uma lembrança, um acontecimento marcante, um temor ou um momento feliz e o partilha com a comunidade.

A aluna presente prometeu trazer mais colegas para a próxima sessão. Serão bem-vindos. Afinal, o objetivo é promover a leitura junto dos nossos jovens alunos e provar que enriquece a nossa existência. Dizer, também, que o convite para os funcionários da ESMAVC e E.E. se mantém. Contamos com todos.

A próxima sessão, para final de Janeiro, será anunciada brevemente. 

A coordenadora do Clube de Leitura

Luz Figueiredo

CONVITE

O Clube de Leitura/ Comunidade de Leitores tem como projeto, para o ano letivo 2025/26, a criação de uma Comunidade de Leitores, a funcionar na Biblioteca da ESMAVC, aberta a toda a comunidade educativa.

Propomos este encontro na última quarta-feira de cada mês, às 14:30.

O primeiro encontro será em 26 de Novembro próximo.

A ideia que vos propomos consiste em reunirmo-nos mensalmente, para debatermos e conversarmos à volta do livro e da leitura. Dito de outro modo, há uma proposta de leitura mensal, um romance, um ensaio, poesia, … , que os participantes leem antecipadamente e 

o debate surgirá espontaneamente em torno da obra escolhida.

Estes encontros literários pretendem ser enriquecedores porque partilhar leituras, pontos de vista distintos, sensibilidades, são janelas para o mundo e para a vida – partilhar em comunidade permite alargar perspetivas culturais, sugestões intertextuais e artísticas.

A sugestão do próximo mês de novembro é Paraíso, uma obra repleta de beleza e encanto, mas simultaneamente dura, pela realidade que mostra: a pobreza e as dificuldades levam uma família a entregar o seu filho a um implacável comerciante, que o explora como escravo. O percurso vital de Yusuf é também, ou sobretudo, o da perda da inocência.

Sugestão de Leitura  outubro

Outubro é o mês escolhido para sugerirmos novas leituras e há novidades na biblioteca da ESMAVC. O Clube de Leitura e a Comunidade de Leitores recomendam Bambino a Roma, de Chico Buarque, famoso cantor e compositor brasileiro, prémio Camões 2019.

A narrativa conquista o leitor desde a primeira página. Trata-se da visão alegre, mas também nostálgica de um tempo passado em Itália, quando o pai do protagonista foi professor na universidade de Roma. Está lá tudo, ou pelo menos muito daquilo que conforma o crescimento e adaptação de um jovem a uma nova vida: a descoberta da cidade desconhecida, os novos amigos, o despertar sexual, a amizade…

Quando o jovem Chico Buarque percorre as ruas de Roma na sua bicicleta, uma cidade empobrecida da Europa do pós guerra, não podemos deixar de pensar em realizadores como Vittorio de Sica e essa obra prima que é Ladrões de bicicleta.

Descobre este livro e vê também o filme!

Ano Letivo 2024/2025

Comunidade de Leitores

O projeto "Comunidade de Leitores" é uma iniciativa desenvolvida com o objetivo de fomentar o gosto pela leitura e escrita entre alunos e professores, alargando o âmbito à comunidade educativa. Pretende criar um espaço de partilha e reflexão sobre livros, promovendo a literacia, o pensamento crítico e a expressão criativa.

Para alcançar estes objetivos, o projeto desenvolve diversas atividades ao longo do ano letivo:

  • Clube de leitura: reuniões periódicas para discutir um livro previamente escolhido, abrangendo diferentes géneros literários e temas;
  • Desafios de escrita criativa: concursos que incentivam os alunos a experimentarem diferentes géneros e estilos, desde a poesia ao conto, passando pelo ensaio, promovendo a criatividade e o aperfeiçoamento da escrita;
  • Espaço digital de partilha: criação de um Padlet onde os membros da comunidade podem publicar textos, documentar atividades e fazer recomendações de leitura;
  • Podcasts: registos áudio de leituras encenadas.

Este projeto pretende reforçar a literacia leitora e a competência escrita dos participantes, e contribuir para a criação de um ambiente escolar mais motivador e enriquecedor. 

Criado com o Padlet

Conversas sobre Livros

"Conversas sobre livros" é uma atividade da Biblioteca para a Comunidade de Leitores da ESMAVC, realizada durante a Semana da Leitura, que se celebrou entre os dias 10 e 14 de março. Neste episódio, um aluno do 11.º ano entrevista a mãe acerca do livro que escolheu para o Projeto de leitura, já que a sua escolha foi, de certo modo, influenciada por ela.

Ler com Gosto

"Ler com gosto" é uma iniciativa da Biblioteca para a Comunidade de Leitores. Neste episódio, o primeiro, foi proposto ao 11.º CT2 que fizesse uma leitura dramatizada do conto "Que", de Luísa Costa Gomes, no âmbito das comemorações do V Centenário do Nascimento de Camões e da atividade "Camões: vícios antigos, lições atuais" .

Camões: vícios antigos, lições atuais

Leitura das reflexões do poeta do canto VIII d'Os Lusíadas e transposição das críticas para a atualidade portuguesa (e não só). 

Criado com o Padlet

Dia da Escola

No Dia da Escola, fomos presenteados com a visita do Núcleo de Vozes Silenciadas, que leram, para uma Biblioteca cheia, um poema de Maria Amália Vaz de Carvalho e nos proporcionaram uma homenagem sentida a Maria Teresa Horta, recentemente falecida, com a leitura de excertos das Novas Cartas Portuguesas. O Núcleo esteve representado pela Laura Oliveira, Maria Cidade e Mariana Oliveira, as quais tiveram a oportunidade de divulgar as atividades que realizam e apelar à participação de todos. As leitoras convidaram ainda os alunos presentes a participar na leitura do poema de Maria Amália Vaz de Carvalho, tendo tido a colaboração de três intrépidos alunos do 11.º ano, cuja leitura, sem preparação nem ensaio, se mostra no vídeo..

Estúdio audio-visual

Mais uma valência do projeto apresentado à candidatura (re)criar a Biblioteca Escolar, da RBE, pronta a funcionar.

O processo de requisição é o mesmo do estúdio áudio: pode ser reservado por professores ou por alunos para a realização de conteúdos, com uma antecedência mínima de 24 horas, através do endereço paulo.moura@esmavc.edu.pt. O pedido de reserva deve identificar o(s) autor(es) da reserva; ano e turma, data em que pretende(m) realizar a gravação, assim como uma descrição sucinta do tipo de conteúdo a gravar.

As gravações serão acompanhadas e orientadas do ponto de vista técnico pelo assistente operacional que realiza o atendimento no Centro de Recursos. 

Estúdio áudio

No âmbito da Candidatura (re)criar, a Biblioteca tem pronto a funcionar umas das valências do projeto que apresentou à RBE: um mini-estúdio áudio, destinado a gravações de podcasts ou outro tipo de conteúdos escolares.
Estes recursos podem ser reservados por professores ou por alunos para a realização de trabalhos, com uma antecedência mínima de 24 horas, através do endereço paulo.moura@esmavc.edu.pt.
O pedido de reserva deve identificar o(s) autor(es) da reserva; ano e turma, data em que pretende(m) realizar a gravação, assim como uma descrição sucinta do tipo de conteúdo a gravar.
As gravações serão acompanhadas e orientadas do ponto de vista técnico pelo assistente operacional que realiza o atendimento no Centro de Recursos.

CONCURSO LITERÁRIO 24/25

Clube de Leitura 24/25

HORÁRIO

3.ª e 5.ª feiras - 14:15 - 15:00 horas
4.ª feiras - 8:15 - 9:45 horas - Eça de Queirós, "OS Maias"
4.ª feiras - 11:45 - 13:15 horas - José Saramago, "O ano da morte de Ricardo Reis" / "Memorial do Convento"
5.ª feiras - 10:00 - 11:30 horas

Ano Letivo 2023/2024

RESULTADOS

Após reunião do júri do Concurso Literário ESMAVC 2024, que decorreu na primeira semana de maio, apuraram-se os vencedores do certame. Foram distribuídos 3 prémios a 3 textos e 3 menções honrosas a outros tantos.

A concurso apresentaram-se 32 textos, tendo sido desclassificados 4 por não cumprirem certos preceitos do regulamento.
Dos textos admitidos, 14 apresentaram-se na modalidade narrativa e 14 na modalidade poesia.
O júri foi composto por 5 professores de diferentes disciplinas e um elemento da Associação de Estudantes.


Assim, a distribuição dos prémios foi a seguinte:
1.º Prémio (narrativa) - Patrícia Guerreiro, 12.º LH1
2.º Prémio (narrativa) - Érica Rato, 12.º CT2
3.º Prémio (narrativa) - Laura Canais, 10.º LH1
Menções honrosas
Érica Rato, 12.º CT2 (poesia)
Margarida Ferreira, 12.º CT2 (poesia)
Rodrigo Cardoso, 12.º CT4 (poesia)

Parabéns a todos os concorrentes em geral e aos vencedores em particular.
Aqui ficam os textos para poderem ser apreciados por todos.

O Concurso Literário é uma atividade de articulação curricular entre o grupo de Português e a Biblioteca.

1.º Prémio

Pela janela, observo gotas de orvalho respingar nas folhas das árvores sobre o leve empurrão do vento. Lá fora, o pátio sem ninguém, apenas com um banco de jardim e cores aborrecidas. As plantas arrepiam-se de frio e o pingo do orvalho assemelha se ao do meu nariz.

Já estou nesta escola há quase um mês, mas ainda não sei o nome de ninguém da minha turma. Não porque nunca ninguém me tenha dito, mas porque nunca me importei em ouvir. Nem sequer sei como é que os meus pés rastejaram até aqui. Chega Olívia, atrasada, cansada e sem fôlego. Parece que correu para chegar à aula a tempo, mas o professor ou não se apercebe ou não se importa, por isso repreende-a pelo seu atraso. Ela segura os nervos, de modo a conter alguns palavrões, percebe a minha presença, olha-me de cima para baixo, suspira um sorriso que parece de chacota e dirige-se para o fundo da sala.

Este nome, eu memorizei, não só porque o professor o disse, mas porque ela fez questão de me incentivar a fazê-lo.

Lá do fundo ouviam-se risinhos e sussurros. Senti as minhas costas a serem observadas, as minhas orelhas a escaldar, o corpo a tremer. Já não era o meu nariz que pingava, mas a minha testa e as minhas mãos. Pensei para mim "lgnora, ignora, ignora. Não é sobre ti". No entanto, os risos continuavam a cada pequeno movimento meu. Esta tortura durou poucos minutos, mas pareciam muitos mais. Assim que a aula termina, arrumo rapidamente as coisas e apresso-me para ir à cafetaria, a fim de não ter de enfrentar o que quer que fosse. Mas é inevitável fugir. Sinto olhares pregados em mim vindos de todos os cantos do corredor, engulo em seco, a luz das lâmpadas arde-me nos olhos, como se o seu foco fosse só em mim. Não tinha memorizado o nome de ninguém, queria continuar assim: "Se eu não me relacionar com ninguém, vou terminar o ano sem problemas" - penso.

Dirijo-me em desânimo para a máquina de comida. Porém, lá está ele: o James, com o antebraço apoiado na máquina e os olhos fixados nalgum produto. James é um dos únicos nomes que conheço nesta escola, pois é o meu amigo de infância. Eu sei que ele não simpatiza comigo porque quer ou porque gosta de mim, mas sim por respeito à amizade das nossas mães. Por mais que eu goste dele, a distância é aquilo que mais me agrada na nossa relação.

- Quantos mais anos é que vais demorar aí? - pergunto.

- Ah, Júlia. Não te tinha visto aí.

- Claro. Não tiras os olhos da máquina. - James olha para mim em silêncio, semicerrando os olhos. Eu continuo:

- Olha, vê lá se te despachas que eu estou com fome.

- É que eu queria mesmo umas bolachas daqui, mas a máquina decidiu prendê-las e agora não tenho mais trocos para comprá-las de novo.

- Tudo bem. Eu trato disso.

Coloco algumas moedas e observo o pacote de bolachas cair. Um e a seguir outro.

- Boa! Conseguiste dois pacotes!

- Sim, e podes ficar com os dois.

- A sério? És a melhor!

Fi-lo pensar que sou bondosa, mas eu nem sequer gosto dessas bolachas.

Depois do James me aborrecer com o seu jogo de futebol e de eu ter comprado alguns snacks, sentei-me num banco, levemente húmido da chuva, coloquei o meu casaco por cima, abri o meu livro e comecei a comer pacificamente. O meu sossego não perdurou, dado que os passos de alguém a aproximar-se assombraram-me por detrás. Era a Olívia.

- Júlia, não é?

- Sim. - menti um sorriso.

- Conheces o James?

- O... o James? - fechei o meu livro para demonstrar atenção.

- Sim, aquele rapaz ali no campo de futebol.

Procurei-o com os olhos e vi-o a rir com os seus amigos. Ele percebeu e acenou para mim.

- Vamos lá. Não podes negar, eu acabei de te ver a falar com ele e pareciam bastante íntimos. - afirmou acompanhada de um salpico de ira.

- Sim. Eu conheço, só que... - tentei explicar com as mãos - há imensos James e... - notei as suas sobrancelhas franzidas e instantaneamente parei de falar, insegura.

- Vocês estão juntos?

- Não! Quero dizer… - desviei o olhar, confusa – sim… - cocei a minha mão - nós de vez em quando estamos juntos. Nós falamos um com o outro. lsto é... o que queres dizer com... estamos juntos?

- Pergunto se namoram! - protestou já num tom aborrecido.

Vi os punhos de Olívia apertarem-se.

- Ah, não. - os punhos dela libertaram-se gradualmente.

- Acho que devias afastar-te dele. Ele parece estar interessado em ti.

- Não me digas que... - soltei um sorriso sincero - não me digas que gostas dele!

Ela suspirou um sorriso. Olhou para baixo.

- Não é nele que estou interessada, tolinha. - olhou para mim e subitamente as suas bochechas acaloraram-se. - É em ti.

Foi neste momento que percebi que a minha mente estava tão fechada que entendia qualquer interação como um ataque. A minha visão do mundo não correspondia à realidade.

Anaís Coral [Patrícia Guerreiro, 12.º LH1]

2.º Prémio

QANIK

No princípio tudo era um e só havia um todo. Árvores e peixes, pássaros e pedras, flores e lagartos, água e nuvens eram a Unidade da existência. Uma Unidade tão viva como um ratinho encurralado e tão inerte como o mais pesado rochedo que conheçam os olhos humanos. Até ao dia em que o Todo acordou.

Esta Unidade que acordou entreteve-se durante muito tempo (por mais que o tempo fizesse também parte do Todo) conhecendo-se. Deu consciência a pequenas partes de si para que não ficasse tão sozinha, porém, com a consciência também vem a independência e então começou a separar-se, ainda que estivessem todos os pedaços muito próximos. Certo dia, já se via tão fragmentada que deixou de se chamar Unidade e aceitou o título Terra. A Terra era senhora e soberana de tudo e todos, e importava-se com estes, mas como quem se importa também se zanga, a Terra não era diferente e então agitava-se e bramia e tornava-se chama de tanta fúria que a consumia, costumando acalmar logo depois. Até ao dia em que o costume de nada serviu e a Terra fez uma grande asneira, separou-se por completo.

O Tempo, as Nuvens e as Pedras foram os primeiros a separarem-se e o Tempo escolheu quão rápido correria, as Nuvens o quão alto estariam e as Pedras o quão grandes seriam. Depois vieram as Árvores, a Sorte, e os Mares acompanhados por uma infinidade de outras partes da Terra, já próximo do fim vieram então os Rios e o Céu. O Céu, que como amante não correspondido que era, tinha sido o que mais se agarrou à Terra, o que o levou também a ser o que ficou mais distante.

Nos primeiros dias, não houve dias. O Tempo quis consolar o Céu que estava enegrecido de tristeza por ter sido colocado tão longe da Terra e colocou as Estrelas junto ao Céu, para que este pudesse desabafar quando o Tempo estivesse mais acelerado. Quando já nada parecia consolar o Céu, o Tempo implorou aos Rios por ajuda e estes deixaram que a água que por eles corre, corresse também pelo Céu. Então, choveu durante uma pequena eternidade, situação que não agradou à Terra.

A Terra, ao saber da água, que agora o Céu lhe deixava que chorasse em cima, não pensou duas vezes e pediu às Nuvens para que a cobrissem, ao saber disto o Céu expulsou as Nuvens do alto pela sua traição, mas nas alturas o Céu não tinha poder por ter chegado tão tarde e as Nuvens limitaram-se a descer e a subir. Após o incidente, tudo andou talvez um pouco mais normal do que o esperado. Até que um dia o Céu recuperou as suas forças.

Como quem ama corre atrás do que ama, o Céu tentou a sua sorte, mas a Sorte não se importa com nada nem ninguém e não ajudou. Sozinho, o Céu fez força e arrastou as Nuvens e as Estrelas o mais que pode até à Terra e a Terra gritou-lhe desde as suas profundezas e o Céu, novamente negro, repleto de tristeza, acatou e chorou por meio ano. Ao sentir novamente as gotas que nela caíam, a Terra, fulminante com a situação, resolveu pedir conselhos às Nuvens e durante esse período o Céu esteve mais limpo do que nunca. As duradouras assembleias das Nuvens chegaram a uma conclusão com um contrato: a melhor maneira para que o Céu não lhe chorasse seria colocá-lo a uma distância próxima que chegue para o Céu não ter de chorar mais, mas ainda longe para a Terra não lhe tocar. A Terra assinou e o Céu também, ainda que a contragosto por saber estar longe da sua paixão, assim como as Nuvens, que não são tolas nem toscas e exigiram nas entrelinhas passar a ter o controlo de toda a água das alturas.

O Tempo, por ter o coração no sítio certo, pediu mais uma vez aos Rios que o ajudassem pois queria compensar o Céu pela sua perda e os Rios, mais uma vez, concordaram e deram-lhe parte da sua água, tornando-se então pequenos veios finos que serpenteiam peto corpo da Terra.

O Céu agora é mais discreto, e graças ao Tempo ainda chora pela Terra. Chora um choro frio, silencioso e leve para que a Terra não sinta o quão ardente, ruidosa e pesada ela é para o Céu.

Joana Camacho [Érica Rato, 12.º CT2]

3.º Prémio

O inesperado aconteceu

Vejo o sorriso na cara dele. Este mostra ser genuíno. Os dentes brancos sobressaem no vermelho dos seus lábios. O seu sorriso desenha uma linha curva. Sorrimos e rimo-nos. Rimo-nos tanto que nos começa a doer a barriga. Toda esta emoção vem do facto de eu ter acabado de cair de um dos degraus das escadas da nossa escola. Algo que pode acontecer a qualquer um. Porém, como quaisquer melhores amigos, desatamo-nos a rir.

Saímos da escola e vamos em direção à sua casa. No caminho até lá falamos. Falamos sobre os assuntos mais espontâneos. Até que ele se cala, deixa de articular as palavras que trocávamos e encara o infinito à sua frente. Eu estranho o ocorrido, porém, não é a primeira vez que isto acontece, por isso aceito o silêncio e foco-me nos meus pensamentos.

Penso nele, no Gonçalo, o rapaz que está ao meu lado neste preciso momento. Supostamente ele sabe tudo sobre mim, mas há um pormenor que lhe escapa. Existe um sentimento que me preenche o peito e o coração ao mesmo tempo. Algo que no início pensei que iria passar, todavia, este sentimento permaneceu. Poderia dizer que estou apaixonada por ele, mas a expressão paixão é demasiado forte para exprimir o que eu sinto, ou se calhar, pensando bem, nem é suficientemente forte...

Chegamos a casa, e o rapaz que se calou há pouco, mudou totalmente as suas atitudes. Novamente, estranho o ocorrido. É como se ele só tivesse uma emoção de cada vez...

Deixamos as mochilas da escola no seu quarto. O Gonçalo vai à cozinha buscar bolachas. Enquanto isso, eu digiro-me até à sala e atiro-me para o sofá, ajo como se a casa fosse minha, afinal somos amigos há bastantes anos. E quando não estou na minha casa, estou na dele. Decidimos passar a tarde, visto que não tínhamos mais aulas, a ver um filme. Passámos mais tempo a escolhê-lo do que realmente a vê-lo.

Acabamos por escolher um documentário e neste concentro-me. Porém, à medida que o documentário avança, a minha cabeça só pensa numa única coisa. No sentimento que tenho por ele. Parece que o quero na minha vida para sempre, seja como amigo ou mais do que isso. Será que ele também sente o mesmo por mim? Será que lho devo dizer? Tantas perguntas passam pela minha cabeça, e igualmente as possíveis respostas. Nunca tive um namorado, nunca beijei ninguém, a pessoa mais próxima na minha vida é o Gonçalo. E apesar de sermos o oposto um do outro, consigo imaginar um futuro com ele.

Até que, para minha surpresa, ele pergunta-me se eu me poderia ir embora.

Encaro-o olhos nos olhos, não percebo o que acabou de acontecer. Será que fiz alguma coisa para ele me mandar embora da sua casa? lsto nunca tinha acontecido. Pergunto-lhe se está tudo bem, ele responde que está só cansado e prefere estar sozinho. E, em vez de o questionar ainda mais, apenas aceito e vou-me embora.

Abro os olhos, é o dia seguinte, encaro o teto do meu quarto, e as estrelas que brilham no escuro que nele colei quando era criança. Saio da cama e a onda de calor que sentia no meu corpo por causa dos lençóis de flanela, agora é inexistente.

Depois de estar pronta, mando mensagem ao Gonçalo, como de costume, a avisar que cheguei ao nosso ponto de encontro, para seguirmos até à escola. Nada, não recebi nada de volta. Passam cinco, dez, quinze minutos. As aulas estão prestes a começar e chegar atrasada não é opção. Por isso, corro até à escola, sem o Gonçalo. Tenho um pressentimento de que algo não está certo. Porém, penso na melhor das hipóteses. Pode ser que tenha só adormecido.

A seguir às aulas, não penso duas vezes e vou até à sua casa. Toco à campainha e pergunto aos pais do Gonçalo por ele. Eles ficam confusos, pois pensavam que ele estava comigo. Nada fazia sentido. Porque é que ele haveria de ter mentido aos seus pais por uma coisa sem sentido? E porque me pediu para sair de sua casa ontem à tarde? E a explicação de parecer só ter uma emoção de casa vez? Tantas perguntas para as quais não tenho respostas.

Os dias passam. Uma semana, duas... não existem sinais do Gonçalo, Até que tudo descamba. Mas mesmo tudo.

Gonçalo é dado como desaparecido. Até que é encontrado. Porém, sem vida. Tantas hipóteses do que poderia ter acontecido. Mas suicídio, nunca tinha pensado nessa. O rapaz por quem eu estava apaixonada. O rapaz que era o meu melhor amigo. O rapaz que agora não está comigo, nem com ninguém.

Começo a ligar os pontos todos. Como é que nunca me tinha apercebido do estado em que ele estava psicologicamente, ao ponto de fazer uma coisa daquelas a ele próprio. Se existia alguém que não poderia desaparecer da minha vida, era ele.

Até que me apercebo que a paixão que me enchia o coração e o peito há uns dias, enche-se agora de tristeza.

TV girl [Laura Canais, 10.º LH1]

Menção honrosa


Queria ser feito de pau,

Para arder realmente

De cada vez que ardo figuradamente


Cada momento que ardo

De febre,

De cólera,

De amores

E distanciam-se mais e mais

Cada quadrado de pele

Cada órgão,

Cada cartilagem,

Cada articulação,

Cada pelo,

Cada unha,

Cada cabelo...


Sinto-me mais vivo.

Gostava de ser de madeira.

A madeira forma farpas,

Farpas essas que sim

Entranham-se na pele.


Se pudesse...

Lenta e suavemente,

Aproximava uma mão do teu pescoço,

Agora de pau e não de osso

Que te perfurasse por inteiro


Farpa

Por farpa

Dedo

Por dedo

Centímetro

Por centímetro


Sem gritares,

Pois as tuas cordas estariam agora

Entrelaçadas nas minhas falanges.


E eu estaria bem.


A tua carne e a minha fundidas,

Seríamos mais próximos

Do que aquilo que qualquer junção carnal permite.

Mas sou só um Pinóquio,

Feito de pau que arde

E de farpas, agora ardidas

João Xavier Sarna [Érica Rato, 12.º CT2]





Menção honrosa


Distante como as estrelas


Aconchegado pelas telhas do telhado

observo o encanto do céu noturno,

um céu nu completamente iluminado

ofuscando o seu lado taciturno.


Encaras-me através das estrelas

que assumem a forma das tuas feições

numa composição elaborada mas singela

por meio das constelações


Quero tocar nas estrelas

para te sentir por um instante

Oh céu, por que me fazes isso?

Estás tão inerte e tão distante!


Vislumbro a ursa maior

que no seu arco indeciso

carrega a perfeição da tristeza

presente no teu sorriso.


Não tenho dúvidas que és tu,

está ali o teu sinal singular

na extremidade do teu sorriso

brilha intensa, a estrela Polar.


Mas deixo de sentir

que estás mesmo aí margarida,

não te mexes nesse espaço imenso,

não mostras sinal de vida.

Mas eu sei que tu também sentes

a nossa dor vivida

inesperada... de repente

cai dos teus olhos decidida

uma estrela cadente

que rebate a incerteza descabida,

encaro-te triste mas contente

por saber que és tu margarida.


Gustavo Stubner Antunes [Margarida Ferreira, 12.º CT2]






Menção honrosa

CONVERSAS SEM PALAVRAS

À Sra. Matilde Correia da Silva, a dedicatória

real de toda a realidade.

"...que invisível se vê."

FERNANDO PESSOA


I

Não há nada cá

Que eu tenha interesse em ver,

A Vida me chega já

Em não chegar por se ser.

Não queria estar aqui ou lá,

Penso na incerteza de perceber

O meu pensamento que vá

Pensar em se conhecer.

E não venho...

Fico posto mesmo assim,

Com o sozinho consigo.

Sou-me e me não tenho,

Tenho a sensação de mim

lntercalada comigo...



II

...estou à margem

...não, não sei estar nadando…

…chego na paragem,

E ela chega andando...

…é louca a viagem

De quem não vai viajando...

...isto das águas – elas agem

A ação me calando…

...paro-me e quedo,

Mexo-me e sou quieto…

...isto tudo refletido...

...mar na maresia;

lntensidade da calmaria –

O ser do que não tem sido… [continua ao lado]



III

Chegou-me o vencimento...

...só seu...

...vindo, vem no pensamento

Vindo donde se venceu...


Entendo sem entendimento –

Ele acabou e se não deu...

...Que me venha o sentimento

De sentir-se ao eu...


...eu nunca mais…

...mais é já demais...

A ocasião, ela que tente

A tentação do tentado...

...a reação do recente –

A velhice do acabado.


Heterogéneo de Souza [Rodrigo Cardoso, 12.º CT4]

CRIOU E NÃO INVENTOU – MAS FEZ

Regulamento

Exposição bibliográfica "O Prazer de Ler: História – Cultura – Artes" 

Está patente, na Biblioteca, a exposição bibliográfica "O Prazer de Ler: História – Cultura – Artes" entre os dias 19 e 23 de fevereiro
Esta exposição, integrada na Semana da Leitura, visa promover a leitura e a divulgação do fundo documental da Biblioteca da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho.

Apesar de ser prioritariamente destinada a alunos dos cursos de Artes Visuais e Língua e Humanidades, a importância do contacto com o livro e com as expressões artísticas está presente no "Perfil dos alunos à saída da escolaridade obrigatória". Assim, a exposição "O Prazer de Ler…" foi pensada em função de todos os alunos da escola e dos diferentes cursos.

O catálogo da exposição está disponível aqui.

A exposição foi concebida, organizada e montada pelo professor da equipa da Biblioteca, José Vasco. 

Projeto de Leitura II

Avô e neto. Tendo sido confrontado com a necessidade de escolher um livro para ler e apresentar à turma, de que é que se lembra o aluno do 10.º ano? Escolher um livro do avô sobre uma figura controversa e quase esquecida da oposição ao Estado Novo. E para apresentar o livro nada como convidar o autor, com quem se tem, naturalmente, bastante familiaridade. E assim se brilha perante os colegas, aproveitando a sorte que a vida nos dá. O autor, que começa por dizer que não é escritor, dá uma grande ajuda ao apresentador e ambos se mostram muito orgulhosos um do outro. E com razão. A ideia foi da professora Anabela Santos, e muito bem acolhida.

Projeto de Leitura I

Duas turmas do 11.º ano, em dias diferentes, escolheram o local ideal para apresentar aos seus colegas os livros que leram no âmbito do Projeto de Leitura. O professor Marco Machado coordenou e dinamizou as sessões e os apresentadores responderam às perguntas dos colegas, os quais se mostraram bastante curiosos e interessados.

A matemática do quotidiano

No dia 5 de janeiro, a Biblioteca recebeu um matemático que gosta de se divertir com os desafios que a vida quotidiana nos coloca e pensá-los através da linguagem matemática. O matemático é José Paulo Viana e a sua simpatia e paixão são transbordantes e contagiantes. Embora possa parecer contraditório, o nosso convidado faz magia e pôde proporcionar aos privilegiados do 12.º CT2 um momento que, aparentemente (mas só aparentemente), escapa à razão. José Paulo Viana tem obra publicada, é professor de matemática e colaborou com o jornal Público, na rubrica "Desafios" por mais de 28 anos. A palestra foi organizada pela professora Teresa Moreira.

Ano Leitivo 2022/2023

No âmbito do Projeto Multidisciplinar "Atelier de Artes/Atelier de Artistas", o grupo de Artes Visuais da Escola Secundária Maria Amália Vaz de Carvalho, em colaboração com a Biblioteca, tem a honra de convidar os Docentes, Alunos, Encarregados de Educação e restante comunidade educativa para a exposição "Fios de Personalidade", de Jorge Cerqueira,...

Realizou-se hoje as meias-finais do Campeonato de Pesquisa da Internet, na Biblioteca. Participaram 12 equipas do 10.º ano, 6 do 11.º e 11 equipas do 12.º. Apuraram-se para a final a equipa MVPINA do 10.º ano, a equipa Mike Lee Tories do 11.º ano e a equipa Gorro do 12.º ano. Parabéns aos vencedores!

Depois de cada turma ter apurado a sua equipa, disputa-se amanhã, 7 de dezembro, na Biblioteca, as meias-finais entre as turmas, por anos de escolaridade (10.º ano às 8:15; 11.º às 9:00; 12.º às 10:00). As equipas apuradas em cada ano de escolaridade disputarão a final na sexta-feira, 9 de dezembro, às 11:30 horas.

As imagens acrescentam um toque final perfeito aos seus artigos e atraem os leitores para abri-los. A primeira imagem do seu conteúdo será automaticamente usada como uma miniatura de seu artigo. Ou seja, uma imagem de capa acertada pode aumentar a atractividade do seu artigo.

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